11/08/2009
06/08/2009
Please Bleed!
"Make me feel like a beggarMake me feel like a thief
A tua genialidade alegra-me a alma e faz-me acreditar que é possível mudar o mundo, alterar o rumo das coisas, com as nossas duas mãos.
Hoje mais uma vez, foste a minha companhia na praia. Ficou o momento em que tocou o "Please Bleed"
05/08/2009
Será que me esqueci que estou de férias?
É oficial. Estou de férias. Embora não pareça.Continuo a não conseguir dar a volta por cima do desanimo que sinto.
Procuro dribla-lo em cada esquina, tentando acelerar o passo e ver se ele fica para trás e deixa de perseguir-me para onde quer que eu vá.
É verão. Estou de férias. Deveria estar leve e solta como uma pluma, mas não estou.
Sinto um peso enorme sobre os ombros. Como se tivesse entre mãos uma tarefa impossível de realizar. E isso entristece-me tanto.
03/08/2009
Poeiras antigas que ficaram na Bagagem...
31/07/2009
Ausente!
No caminho da história...
29/07/2009
O diabo mora nos detalhes!
O diabo mora nos detalhes. Curioso como a vida é feita de pormenores!28/07/2009
Devaneios no duche?
Finalmente a imaginação virou realidade. Embora um pouco improvisada pelo facto de algumas cores de azulejos que queria, estarem esgotadas ou nem sequer existirem, quando há 6 meses os comprei. (e ainda bem, hoje a escolha é ainda mais limitada).Mas já lá está, em Galveias, o tão desejado, duche no quintal. Finalmente deixou de ser só imaginação da minha cabeça.
Ficou perfeito. Tirando o pequeno pormenor de um dos azulejos amarelos na parte inferior ter-se partido e notar-se isso mesmo, aos olhos dos mais observadores.
Mas para mim, ficou lindooooooooo. Por isso, salta o muro e vem, espera-nos uma "chuveirada" no quintal. Uma espécie de "Uma aventura no chuveiro"... de água fria ainda por cima.
23/07/2009
O pecado mora ao lado!
P.S - "No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz".
22/07/2009
Dias Tranquilos!
Por esta altura, já deves ter fugido para terras de Espanha. Mais precisamente Barcelona, tentando fazer com que a distância seja, mais uma vez, tua aliada. Ou não.Mas talvez fosse o melhor a fazer. Assim torna-se mais fácil, vais ver que sim.
Barcelona é a cidade que não dorme, a cidade onde a chamada "solidão acompanhada" persegue-nos para onde quer que vamos. E eu, tenho a certeza de que no meio de tantos caminhos, irás descobrir o teu.
Já eu, continuo a frequentar os mesmos lugares, a passar nas mesmas ruas e esquinas da minha "velha" e "cúmplice" cidade, aquela onde sempre vivi.
Talvez sejam as raízes a limitarem-me o horizonte e a tornarem os meus voos curtos de forma a conseguir sempre regressar. Talvez as minhas asas sejam de papel. Frágeis.
Talvez tenha medo de deixar que a maré me leve para onde ela quer que eu vá. Eu que sempre aprendi a nadar contra a corrente.
Um dia, canso-me e fico simplesmente a boiar, a ver onde a maré me leva.
Não faço como tu que nadaste ao sabor da corrente, de forma a apressares o percurso e chegares mais depressa ao destino. (será que era o ponto de chegada ou ainda te atrasaste mais?)
Prefiro ir deslizando, lentamente, aproveitando cada momento e cada etapa do percurso e com eles aprender algo de novo que faça-me sentir que evoluí, que cresci um pouco mais como ser humano. E isso é muito importante também.
Não sei se a pressa te dá tempo de olhares em voltar e pensares nisso...
Namaste!
20/07/2009
Numa solidão acompanhada!
A praia estava atolada de gente. :P"Another lonely day"
18/07/2009
A cantiga do bandido...
Blá Blá blá... a velha e habitual conversa das Madalenas traídas...
Por vezes as mais belas fantasias e experiências, estão mesmo ao nosso alcance e só não passam a ser realidade porque temos medo de as viver.
Somos nós e os estigmas que desenvolvemos, o maior obstáculo para realização de muitas das fantasias que criamos no nosso imaginário. Não devemos temer vivê-las, pois nunca sabemos onde elas nos poderão levar.
Podem sempre ser um risco é certo, mas senão arriscarmos, nunca saberemos onde nos poderiam fazer chegar. E por ti, acho que corria esse risco e muitos mais...
17/07/2009
À espera do momento certo!
É preciso saber esperar em silêncio, com paciência e muita certeza. Mais tarde ou mais cedo, essa espera irá levar-nos a algum lado. Mesmo que não seja o lado que queríamos ir inicialmente. Enquanto conseguir reunir os requisitos para esperar, eu espero...
Espero todos os dias pacientemente pela aurora e pelos primeiros raios de luz. Espero pelo por do sol quase sempre que estou perto da praia.Espero pela noite para contemplar as estrelas. Espero pelos dias quentes de verão e pelos intermináveis finais de tarde alentejanos.
16/07/2009
Querer é poder?
Costumo dizer que não sei o que quero, mas sei o que não quero. Não é totalmente verdade. Há coisas que sabemos que queremos. Temos a certeza, mas que não dependem de nós.
Segundo o "SEGREDO", " a lei da atracção governa o universo", ou seja, atraímos tudo o que pensamos. Se pensarmos positivo, atraímos coisas positivas, se pensarmos negativo, isso reflectir-se-à com efeitos negativos. Uma espécie de "querer é poder" do século XXI. Mas será que é mesmo assim?
Eu, quero acreditar que quando queremos muito uma coisa, não podemos desistir. Mesmo que à partida, pareça impossível. É preciso esperar em silêncio, com paciência e certeza. Mas sem nunca deixarmos de abdicar de tudo o resto.
Sem nunca deixarmos de nos sentir vivos.
Sem nunca deixarmos de viver aquilo que já temos...
Até porque a melhor maneira de nos prepararmos para o futuro, é concentrarmos toda a imaginação e entusiasmo na execução perfeita do trabalho de hoje.
15/07/2009
Refugiar-me!
GRRRRR... já podia estar em Galveias. Mas ainda ando atolada em burocracias relacionadas com o acidente. Assim, nem para lá posso fugir.Estou desejosa de sentir o vento a bater-me na cara, no alto de S. Saturnino.
13/07/2009
Como uma peça de teatro!
A vida é uma peça de teatro que não permite repetições. Quando a cortina se fecha, é raro ouvirem se aplausos. Alguns até seriam merecidos.Não sei em que parte da peça estou, nem o que me reserva a história daqui para frente. Sei que sou a personagem principal e que tudo à minha volta é cenário.
Resta-me a tristeza de não poder repetir tudo aquilo que queria repetir e a esperança de que a história que me resta seja ainda melhor, que a que já encenei.
"One day it will all make sense" bjork
Grande Jaque!

08/07/2009
A primeira distinção
O "Tames Xarengadze" distinguiu este espaço com o Prémio Lemniscata, criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos leitores. Uauuuuuu...ANTES DEMAIS O MEU MUITO OBRIGADO.
Estes são os 7 blogs a quem passo a distinção:
- VOODOO E PATINE
- ONDE SÓ CHEGA QUEM NÃO TEM MEDO DE NAUFRAGAR
- PAPEL COM TINTA
- MENOS QUE ZERO
- PF FOTOGRAFIA
- ANTÓNIO BORONHA
- APITÓ COMBLOGUIO
07/07/2009
06/07/2009
A vida num turbilhão!
Assim vai a minha cabeça. A minha vida. Num imenso turbilhão. É o que dá juntar demasiados ingredientes na mesma panela e temos o que se pode chamar de caldo entornado... puff... puff...
A contrastar com a calmaria da imagem original "Entardecer na Trafaria.
Um ano de saudade, meu Jimmy!!!
Foi há 1 ano, que lentamente o meu mundo se começou a desmoronar.Desde que partiste, nada mais foi igual. Não que a culpa tenha sido tua. Eu sei que não querias partir, pelo menos antes de eu chegar a casa. Quanfo cheguei, já não estavas.
Foi aí que a vida começou-me a abrir os olhos e a mostrar-me o outro lado. Aquele que todos tememos e fugimos. Aquele que ninguém quer ter.
Sinto a tua falta, como se tivesse sido ontem. Ás vezes, ainda sinto o teu deslocar pela casa, como se nunca tivesses partido. É tudo tão mais triste sem ti, meu amigo.
A data só veio atenuar ainda mais a minha tristeza.
"É assim com os animais, vêm assim sem pensarmos muito e quando vão levam-nos um pedaço que já não recuperamos mais".
Miss you Jimmy, really miss you!!!!!!
05/07/2009
Ganhar ou perder!
Acredito que se pode jogar e ganhar, mesmo quando se pensa que se perdeu. Também creio no inverso: que às vezes perdemos, mas estamos convencidos de que ganhamos.03/07/2009
Quantos momentos de felicidade tens por dia!?
Esta é a pergunta que andou na minha cabeça a semana inteira. Logo por sinal, uma semana carregada de emoções (algumas menos positivas), percalços e de alguma tristeza à mistura. Gosto de ti!!!!!
Às vezes, há acontecimentos nas nossas vidas, que mostram o quanto somos pequeninos e impotentes perante as coisas que nos rodeiam.O acidente de carro, na segunda-feira fez-me perceber, "a mal", uma coisa muito simples: não adiar o que tem de ser feito, ou aquilo que queremos fazer no presente, porque amanhã pode ser tarde demais para tal.
Não que eu já não o soubesse. Mas agora senti e ainda sinto na pele, o valente susto que apanhei.
Não aconteceu nada, felizmente, mas podia ter acontecido e nunca mais teria a oportunidade de te dizer, o que sempre te quis dizer:
- Gosto de ti! Muito!
Por isso decidi dizer-lo agora. Enquanto estou viva, consciente de mim mesma e do mundo e enquanto tenho forças para o fazer!!!
- GOSTO MUITO DE TI!!!!
(assim nada fica por dizer...)
28/06/2009
17/06/2009
All this time!
Sempre encontrei muitos gatos nas paisagens típicas das vilas alentejanas, por onde passei. E foram muitas. Como se fizessem sempre parte do cenário, da habitual calmaria tão característica do Alentejo.
Pois bem! Galveias não é excepção.
Domingo, dia 14 de Junho, 13h, um calor abrasador num dia de sol encoberto, apenas eu e o gato na rua. Eu a tentar aumentar o meu portefólio fotográfico e ele quem sabe, a procurar um lugar mais fresco para dormir a sesta.
Simplesmente genial o momento!!!!
16/06/2009
11/06/2009
04/06/2009
Devaneios Nocturnos!!!
O "Salgadinho" da Familia!

Há uns anos que não a vejo e vou lhe mandando recados pelos meus tios (seus avós) e pela minha prima Lili (a mãe), mas, confesso que gostava muito de a ver. Mas enquanto isso não acontece, não pude deixar de fazer lhe aqui a minha homenagem. 03/06/2009
Resenha fotográfica!!!!
Pois é! Hoje foi um dia em cheio: voltinhas e mais voltinhas de manhã e mais voltinhas à tarde. Bebedouros, fontes, Etars... O resultado foi um cartão de memória a rebentar pelas costuras e muito trabalho de casa. Aquilo que costumo chamar de background work, (trabalho que absorve-nos todo o tempo que temos e mais algum, mas que ninguém vê ou sequer se apercebe) para alêm de uma valente dor nas pernas.
almadenses. Têm feito sucesso. Sempre que vou ao encontro de um, está alguém a usa-lo, o que é muito bom sinal. Agrada-me a ideia. Especialmente os para pessoas de mobilidade condicionada. Senti uma felicidade imensa quando vi um munícipe de cadeira de rodas a beber água, num dos principais jardins da cidade sem dificuldade alguma. (caso para dizer: feito à medida) E quando pequenas coisas boas como estas acontecem no meu dia a dia, eu só posso sentir-me feliz, melhor com os outros e comigo mesma.À tarde, mais uns registos numa das ETARS do Concelho, onde o ciclo urbano da água
termina, sempre com a água no bom caminho, agora limpa e tratada, pronta a ser devolvida ao rio. Foi aqui, que tirei estas duas últimas fotografias que escolhi. E as que penso que não haverá grande problema em publicar. Ossos do ofício!01/06/2009
Ainda o FotoTalentos 2009!
Fantástico! De 6995 fotografias que participaram, "estamos" nas 25 finalistas e ficámos em 1º na categoria de Saúde, uma das 5 em que podíamos concorrer. Agora é a palavra de quem mais sabe e percebe do assunto, o JÚRI. Sei que é muito difícil ficar nas 3 primeiras, mas das 25 fotografias presentes na final, 3 terão de ficar. Como eu gostava que o JÚRI gostasse da minha "Agressão!" tanto quando eu gosto dela. E como me dava jeito o prémio, ui ui. Enquanto o resultado não sai, sempre posso ir sonhando. não é?A todos os que votaram, o meu muito obrigado! De coração!
Já que estou a falar no assunto, aqui fica o endereço do video da exposição de saúde em Valladolid, que se realizou na primeira quinzena de Março de 2009.
http://www.fototalentos.com/popup/videoexposicionvalladolid.jsp
Chegou a 6ª Dobradinha!!!
30/05/2009
filhos dólhão!
GRAZINAEste é o blog de António Boronha, não um filho dólhão, mas de Faro. Um blog que descobri quando andava a pesquisar coisas do meu avô. Teve a proeza de conseguir comover-me com um texto que publicou no dia 21 de Março de 2007 e animar o meu dia com as palavras que cuidadosamente escolheu, as quais não podia deixar de transcrever:
um sábado, quando ia para a faina da pesca, tendo-se levantado um enorme temporal a que no sotavento algarvio se chama 'sueste', um pescador da terra viu-se obrigado a regressar mais cedo a casa.quando lá chegou, deu com o bom do Grazina em cima da sua mulher.conhecedor das coisas da bola e fiel adepto do 'olhanense' fez-lhe, de imediato, o reparo:- móss, grazina?...atão, amanhã, tens um jogo de responsabilidade e tás a fazer um desforço destes a esta hora???...
já não há filhos de olhão com esta dedicação ao clube. porque, se os houvesse, há muito que o histórico emblema estaria na primeira liga..."
29/05/2009
Entardecer@Trafaria
24/05/2009
A "Rosaira" da minha vida!
A minha mãe e o meu avô ao centro
Com o meu pai e o meu avô Grazina, em olhão 1977*
"Rosaira" para os colegas de equipa ou simplesmente o velho Grazina, o inesquecível médio centro do Olhanense. Pelo menos assim o dizem. Jogou até não poder mais. (pelo menos é o que dizem as gentes) Os seus 44 anos forçaram-no a pendurar as chuteiras, num jogo que ficou para a história como relata um autor anónimo:
"Para colaborar na festa de homenagem a Grazina, o extraordinário “gigante” do Olhanense, a equipa do Belenenses deslocou-se à pitoresca vila de Olhão, com todos os seus elementos titulares.Esse jogo jamais será esquecido por aqueles que tiveram a felicidade de a ele assistir. Primeiro por se tratar da homenagem a um dos mais correctos e populares jogadores portugueses, depois pela exibição que Matateu fez."
"O excelente e denodado Grazina- um grande e incansável guerreiro que jamais se negava à luta ."
Contam-se muitas histórias do meu avô. Ele tinha um feitio muito próprio. E um físico invejável. Era muito resistente. A minha mãe diz que ele deixou de jogar futebol aos 44 anos (quase 45), não porque já não pudesse dar mais, muito pelo contrário. Ao que parece nos últimos anos, o Olhanense era uma equipa muito jovem, tirando o Grazina e o Abrão (padrinho da minha mãe e antigo guarda redes da equipa) e o meu avô costumava brincar que era a mãe (Abrão), o pai (Grazina) e os 9 filhos. E isso mexia com ele por dentro. E poderia levar a alguma troça. Mexia tanto que resolveu pendurar as chuteiras para tristeza das gentes de Olhão.
Na sua ultima entrevista ao DN, em 1980, meses antes de falecer, foi igual a si mesmo, um guerreiro:
"Se fosse jogador hoje, jogava até aos 60 anos", dizia em tom de sátira e critica ao caminho que o futebol português estava a tomar: salários cada vez mais exorbitantes, futebolistas caprichosos que apenas jogam futebol e nem isso Às vezes conseguem fazer de jeito. Ele que sempre trabalhou nas conservas, chegou a dormir em contentores de pesca, jogou e nunca recebeu fortunas. Nasceu pobre, morreu pobre e nunca quis sair da cidade de Olhão que tanto amava. E onde era tão amado. A sua maior riqueza era o amor da sua gente. Todo o carinho e reconhecimento que sempre demonstraram, quer em vida, quer na hora do ultimo adeus. Poderia ter tido um funeral de pompa e circunstância e ter sido sepultado junto das grandes figuras de Olhão, mas essas "mordomices" não eram para ele e a minha mãe preferiu sepultar o pai na campa de família que pertencia às suas irmãs. O importante era ficar em Olhão. E isso, nem se pôs outra hipótese. Quanto ao jogar até aos 60 anos e tendo em conta todas as diferenças entre o futebol do tempo do Grazina e o dos anos 80 (altura em que faleceu), tenho a certeza de que se fosse vivo hoje essa fasquia dos 60 já teria subido para 65 ou mais. Até estou a imaginar o que ele diria: " Moss, isto hoje é só mariquices e jogar à bola nada" ou algo parecido.
Aconteceu uma coisa curiosa, quando me dirigi ao largo do jardim onde estão os famosos patos e onde se reúnem as "gentes mais velhas" de Olhão. Falava-se de futebol, dos feitos do Grazina, "um jogador natural de S. Brás de Alportel que enchia o campo da equipa de 1923 que foi campeã nacional, onde jogavam o Delfim, o Tamanqueiro e o Cassiano."
Timidamente perguntei se sabiam onde era a Travessa dos Arménios. Ninguém soube-me responder. Mas um deles perguntou-me porque queria saber. Talvez o motivo lhe permitisse descobrir a resposta.
- Eu queria saber onde morava o Grazina?
Respondi afirmativamente, mas ele não aguentou a curiosidade:
- Moss, vai-me desculpar a pergunta, mas porque é quer saber?
- Porque era o meu avô e não venho cá há muitos anos...
Pararam todos o que estavam a fazer. E começaram a olhar-me de alto a baixo. Um dos "velhos" veio de trás, fitou-me, tirou os óculos escuros e disse:
- Então e és filha de quem? Do Januário?
- Não. Da sua irmã, a Laurita. - respondi
- A Laurita era uma menina muito loira e muito bonita, lembro-me bem dela e o teu avô, é uma lenda aqui na terra. Que belo jogador. A casa onde vivia é já aqui atrás, entras ali e é na segunda à direita.
E era mesmo. Assim que entrei na rua reconheci-a imediatamente. Tão estreita que se afastasse os braços quase que tocava nas duas paredes. Percorri-a, a relembrar os tempos de criança, quando começava a olhar as varandas à procura da que tinha as gaiolas com pintassilgos, porque sabia que essa era a da casa do meu avô. Ele adorava pintassilgos (ainda hoje temos sempre um em casa em sua memória). Hoje percebo porque gostava deles, revia-se na sua rebeldia.
Mas as vitoriosas conquista do Grazina e do Olhanense eram apenas histórias que sempre ouvi contar. Quando nasci, em 1976, o Olhanense tinha descido à segunda divisão no ano anterior e nunca mais conseguiu voltar à elite do futebol. Toda a vida sonhei com o dia que o Olhanense subiria à primeira divisão de novo e esse dia aconteceu. Finalmente! Foi no dia 17 de Maio de 2009. 34 anos depois, o Olhanense consegue a proeza e realiza o meu sonho. O sonho de todos os olhanenses.
Nesse mesmo dia, vi na televisão, o nome do Grazina ser pronunciado e relembrado pelas gentes de Olhão. Só as pessoas com mais de 65 anos (idade da minha mãe e ela própria só se lembra dos últimos anos) viram o Grazina jogar. Mas o que é certo é que na altura da vitória, algumas pessoas se lembraram dele e isso deixou-me muito comovida, orgulhosa, enfim, aquela terrível mania que as mulheres têm de ter sempre a lágrima ao canto do olho.
Hoje gostaria de estar em Olhão para a festa. Mas não foi possível. Mas estarei sempre com eles, como estive sempre, na Antena 1 aos domingos à tarde a seguir o Olhanense até à subida. Foram 3 décadas à espera deste dia. E quando se espera e se quer muito uma coisa, às vezes ela acontece.
O meu avô esteja ele onde estiver, eu tenho a certeza de que estará feliz. "Estamos na primeira avô, estamos na primeira avô..."


























