"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer porque eu sou do tamanho do que vejo, e não do tamanho da minha altura... Nas cidades a vida é mais pequena que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, ..”
Então a minha cidade é uma Aldeia, porque tem o horizonte mais lindo que eu já alguma vez vi.
Porque como eu dizia à minha velha amiga Catarina (Beato), a lua é sempre mais bonita, quando é vista do Miradouro. Aquele miradouro, o nosso. Aquele a que chamamos miradouro do Castelo (de Almada), um lugar abençoado e de certa forma estratégico na conquista de Lisboa!
É sempre tão bom voltar... Lembrar os bailaricos de S. João, as risadas, as beatas fumadas às escondidas na famosa árvore centenária, tão emblemática deste jardim. Tão nosso, tão meu...
Aquela árvore que se falasse, teria com toda a certeza muitas estórias para contar... :)
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07/04/2011
29/05/2009
Entardecer@Trafaria
A vida é um mistério a ser desvendado,
dia a dia, minuto a minuto, segundo a segundo.
O incrível é que há sempre mais um pouco para descobrir...
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17/05/2009
Chegada a casa!
Quantas vezes a vir de viagem
e a saber que ainda faltava para chegar,
vi-te ao longe e senti-me logo em casa.
Mãe, o "meu irmão" faz 50 anos!!
Sempre tive uma relação muito peculiar com o Cristo Rei. Até porque costumava vê-lo da minha janela. Digo costumava, não porque tenha mudado de casa, ou porque o "meu irmão" tenha mudado de sítio, o que também não aconteceu. Estranho? Não. Teatro de Almada é a resposta. Um equipamento da mais alta tecnologia que há na Europa, por dentro. Por fora, um feio mamarracho azul, que parece uma piscina vazia. Um mamarracho azul que definitivamente me tapou a vista para o "meu irmão". "Meu irmão"? Sim. Era como lhe chamava em pequena. Sempre foi o meu irmão imaginário. Alguém com quem conversava da minha janela. E foi assim durante anos, até crescer e perceber a realidade. (acontece a todos) Há quem converse com bonecos, com carros, com o ar, com as paredes. Eu conversava com Ele. Ele a quem chamava sempre de "meu irmão". Devo ser uma irmã desnaturada, porque esqueci-me completamente do seu aniversário. Durante a semana, comecei a notar um frenesim anormal. "Vem cá a nossa senhora de Fátima", ouvi.
"Cá onde? A Almada". (normalmente o cá é em Lisboa não sei porquê, como senão tivéssemos vida própria ou não fossemos parte de outro distrito) O cá, era mesmo cá. Por incrível que pareça. Mesmo debaixo dos meus olhos e dos Dele também. Lembrei-me dos tempos de criança em que passava horas a olhar para ele. Especialmente nos dias frios e chuvosos de Inverno, quando não podíamos ir para a rua brincar. Lembrei me das tardes de sábado que o meu pai me levava lá acima para vermos Lisboa e Almada do alto. Lembrei me dos tempos do liceu, na escola do Pragal e das primeiras "tolas" nos finais de período, que normalmente acabavam "no topo do mundo" como costumávamos dizer, com alguém a dizer que ia ficar ali a dormir porque já não conseguia descer... Tal era...
Parabéns irmão. Parabéns Cristo-Rei, símbolo de Almada, a minha amada terra. Fazes parte das nossas raízes. Estás entranhado na nossa cultura, na vida de todos os almadenses, dentro de mim especialmente. Tão entranhado na memória cá de casa que ontem virei-me para a minha mãe e disse:
- "Mãe, o meu irmão faz 50 anos!"
E rimos muito, recordamos e bem que podiam vir mais 50 anos.
25/04/2009
O meu 25 de Abril em poucas palavras!
A semana passou a correr aliás, como todas as semanas passam desde o dia em que fiz 21 anos e a minha mãe me disse: - "Agarra-te que a partir da agora passa tudo a correr."E não é que tinha razão. É engraçado que à medida que vamos acrescentando mais anos à nossa idade, ganhamos uma percepção do tempo diferente. Quando éramos crianças, os dias pareciam não ter fim e as chamadas de férias de verão pareciam ainda mais intermináveis.Agora passa tudo a correr, num abrir e fechar de olhos, com uma rapidez tão impressionante que chega a assustar-me. Por entre "clicks" (fotografias), "sushadas" (sushi), domesticações de ventre, revistas de imprensa, estudos de benchmarking e avisos de cortes água, os dias foram-se impondo e o fim de semana chegou. (Yeahhhh!!!)
Mas este sábado é um dia especial porque é dia 25 de Abril, feriado nacional e comemora-se a revolução dos cravos e claro a LIBERDADE (e como eu adoro a minha). Aquela que me permite estar aqui hoje a escrever. Aquela que me permite todos os dias dizer o que penso, fazer o que quero fazer e sonhar em voz alta, tudo aquilo que quero sonhar. A liberdade também se faz com palavras.
Sendo a cidade de Almada maioritariamente comunista, os festejos desta data são sempre muito efusivos, emotivos e carregados de momentos cheios de simbolismo, como o tocar de "Grândola Vila Morena", a distribuição de cravos à população e para que se oiça a voz de Abril, hoje e sempre, um fogo de artifício fabuloso que mais uma vez iluminou os céus da minha cidade e fez estremecer as almas que não acreditam em Abril e na Liberdade.
" 25 de Abril sempre, Fascismo jamais!"
*
p.s - Ainda houve tempo para a "Doninha" (DA WEASEL) que a jogar em casa e apesar de sentirem-se nervosos por isso mesmo, mais uma vez dignificaram a cidade de Almada e a música portuguesa! Há 16 anos quando começaram, eu já acreditava no vosso sucesso.
Carlão, my friend, esquece o Benfica, puff! O Porto é que é! Força!
*
Força (Da weasel)
"(respiro fundo)
E lembro-me da força
(guardo dentro do meu corpo)
Espero que ela ouça
Todo o amor deste mundo
Perdido num segundo
Todo o riso transformado
Num olhar apagado
Toda a fúria de viver
Afastada do meu ser
Até que um dia acordei. E vi que estava a perder
Toda a força que cresceu
Na vida que deus me deu
A vontade de gritar bem alto: O meu amor morreu.
Todo o mundo há-de ouvir. Todo o mundo há-de sentir.
Tenho a força de mil homens. Para o que há de vir."
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