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22/01/2012

We will get there!



Slowly, slowly we will get there... ♥ we just have to wait!
E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada, seja por acaso… ♥

04/06/2009

O "Salgadinho" da Familia!


Ora ai estão 2 fotografias que animaram o meu dia. Adorei-as. Não só porque a modelo é minha prima, mas pelo resultado final em si.
A "Sarita" cresceu, fez-se mulher. Modelo, ex-moraguita e actriz. Actualmente está a passar na telenovela "Olhos nos olhos" e na série do ano "Equador", adaptada do livro de Miguel Sousa Tavares, ambas na TVI.


Há uns anos que não a vejo e vou lhe mandando recados pelos meus tios (seus avós) e pela minha prima Lili (a mãe), mas, confesso que gostava muito de a ver. Mas enquanto isso não acontece, não pude deixar de fazer lhe aqui a minha homenagem.
Força Sara, Boa Sorte e um futuro risonho. (se por algum motivo vires isto, é a prima bué, ahahahahah...)

30/05/2009

filhos dólhão!

GRAZINA
Esta caricatura foi feita pelo ilustrador Adriano Baptista

http://antonioboronha.blogspot.com/2007/03/filhos-dlho.html
Este é o blog de António Boronha, não um filho dólhão, mas de Faro. Um blog que descobri quando andava a pesquisar coisas do meu avô. Teve a proeza de conseguir comover-me com um texto que publicou no dia 21 de Março de 2007 e animar o meu dia com as palavras que cuidadosamente escolheu, as quais não podia deixar de transcrever:

"A propósito de manifestas preocupações sobre as consequências do esforço a que terá sido submetido Cristiano Ronaldo na filmagem de um anúncio para um patrocinador da selecção nacional, não resisto a contar a história, que sempre correu como verídica, passada com o famoso jogador-pescador, Manuel Grazina ao serviço do Olhanense, no início dos anos quarenta:
um sábado, quando ia para a faina da pesca, tendo-se levantado um enorme temporal a que no sotavento algarvio se chama 'sueste', um pescador da terra viu-se obrigado a regressar mais cedo a casa.quando lá chegou, deu com o bom do Grazina em cima da sua mulher.conhecedor das coisas da bola e fiel adepto do 'olhanense' fez-lhe, de imediato, o reparo:- móss, grazina?...atão, amanhã, tens um jogo de responsabilidade e tás a fazer um desforço destes a esta hora???...
já não há filhos de olhão com esta dedicação ao clube. porque, se os houvesse, há muito que o histórico emblema estaria na primeira liga..."

Moss, as tais mariquices camande...

24/05/2009

A "Rosaira" da minha vida!

Grazina no jogo em sua homenagem com o Belenenses.
A menina loira é a minha mãe.
A minha mãe e o meu avô ao centro

Com o meu pai e o meu avô Grazina, em olhão 1977
*

Todos na vida temos alguém na família que admiramos mais. E eu cresci a admirar o meu avô. A ouvir as histórias que se contam dele. Era um valente jogador a "Rosaira", tão valente que ainda hoje, e passados mais de 25 anos sobre a sua morte, se fala dele.
"Rosaira" para os colegas de equipa ou simplesmente o velho Grazina, o inesquecível médio centro do Olhanense. Pelo menos assim o dizem. Jogou até não poder mais. (pelo menos é o que dizem as gentes) Os seus 44 anos forçaram-no a pendurar as chuteiras, num jogo que ficou para a história como relata um autor anónimo:
"Para colaborar na festa de homenagem a Grazina, o extraordinário “gigante” do Olhanense, a equipa do Belenenses deslocou-se à pitoresca vila de Olhão, com todos os seus elementos titulares.Esse jogo jamais será esquecido por aqueles que tiveram a felicidade de a ele assistir. Primeiro por se tratar da homenagem a um dos mais correctos e populares jogadores portugueses, depois pela exibição que Matateu fez."
O meu avô foi um guerreiro incansável, um futebolista à moda antiga que jogava por amor à camisola. Um amor que o levou à glória, ao reconhecimento e ao sucesso. Um amor que a sua gente não esquece ainda hoje. Recordo aqui uma passagem de " A Vila de Olhão da minha Recordação", de Leonel Maria Batista:
"O excelente e denodado Grazina- um grande e incansável guerreiro que jamais se negava à luta ."

Contam-se muitas histórias do meu avô. Ele tinha um feitio muito próprio. E um físico invejável. Era muito resistente. A minha mãe diz que ele deixou de jogar futebol aos 44 anos (quase 45), não porque já não pudesse dar mais, muito pelo contrário. Ao que parece nos últimos anos, o Olhanense era uma equipa muito jovem, tirando o Grazina e o Abrão (padrinho da minha mãe e antigo guarda redes da equipa) e o meu avô costumava brincar que era a mãe (Abrão), o pai (Grazina) e os 9 filhos. E isso mexia com ele por dentro. E poderia levar a alguma troça. Mexia tanto que resolveu pendurar as chuteiras para tristeza das gentes de Olhão.
Na sua ultima entrevista ao DN, em 1980, meses antes de falecer, foi igual a si mesmo, um guerreiro:
"Se fosse jogador hoje, jogava até aos 60 anos", dizia em tom de sátira e critica ao caminho que o futebol português estava a tomar: salários cada vez mais exorbitantes, futebolistas caprichosos que apenas jogam futebol e nem isso Às vezes conseguem fazer de jeito. Ele que sempre trabalhou nas conservas, chegou a dormir em contentores de pesca, jogou e nunca recebeu fortunas. Nasceu pobre, morreu pobre e nunca quis sair da cidade de Olhão que tanto amava. E onde era tão amado. A sua maior riqueza era o amor da sua gente. Todo o carinho e reconhecimento que sempre demonstraram, quer em vida, quer na hora do ultimo adeus. Poderia ter tido um funeral de pompa e circunstância e ter sido sepultado junto das grandes figuras de Olhão, mas essas "mordomices" não eram para ele e a minha mãe preferiu sepultar o pai na campa de família que pertencia às suas irmãs. O importante era ficar em Olhão. E isso, nem se pôs outra hipótese. Quanto ao jogar até aos 60 anos e tendo em conta todas as diferenças entre o futebol do tempo do Grazina e o dos anos 80 (altura em que faleceu), tenho a certeza de que se fosse vivo hoje essa fasquia dos 60 já teria subido para 65 ou mais. Até estou a imaginar o que ele diria: " Moss, isto hoje é só mariquices e jogar à bola nada" ou algo parecido.
Voltei a Olhão em 2005, quase 20 anos depois de ter lá estado a última vez. Queria recordar o meu avô, caminhar na sua rua (Travessa dos Arménios), conversar com as suas gentes, ver de novo os patos do jardim junto à ria. (os patos são a minha maior recordação de Olhão).
Aconteceu uma coisa curiosa, quando me dirigi ao largo do jardim onde estão os famosos patos e onde se reúnem as "gentes mais velhas" de Olhão. Falava-se de futebol, dos feitos do Grazina, "um jogador natural de S. Brás de Alportel que enchia o campo da equipa de 1923 que foi campeã nacional, onde jogavam o Delfim, o Tamanqueiro e o Cassiano."
Timidamente perguntei se sabiam onde era a Travessa dos Arménios. Ninguém soube-me responder. Mas um deles perguntou-me porque queria saber. Talvez o motivo lhe permitisse descobrir a resposta.

- Eu queria saber onde morava o Grazina?
- O Grazina, mossa? O velho Grazina? - perguntou, arregalando os olhos
Respondi afirmativamente, mas ele não aguentou a curiosidade:
- Moss, vai-me desculpar a pergunta, mas porque é quer saber?
- Porque era o meu avô e não venho cá há muitos anos...
Pararam todos o que estavam a fazer. E começaram a olhar-me de alto a baixo. Um dos "velhos" veio de trás, fitou-me, tirou os óculos escuros e disse:
- Então e és filha de quem? Do Januário?
- Não. Da sua irmã, a Laurita. - respondi
- A Laurita era uma menina muito loira e muito bonita, lembro-me bem dela e o teu avô, é uma lenda aqui na terra. Que belo jogador. A casa onde vivia é já aqui atrás, entras ali e é na segunda à direita.
E era mesmo. Assim que entrei na rua reconheci-a imediatamente. Tão estreita que se afastasse os braços quase que tocava nas duas paredes. Percorri-a, a relembrar os tempos de criança, quando começava a olhar as varandas à procura da que tinha as gaiolas com pintassilgos, porque sabia que essa era a da casa do meu avô. Ele adorava pintassilgos (ainda hoje temos sempre um em casa em sua memória). Hoje percebo porque gostava deles, revia-se na sua rebeldia.
Mas as vitoriosas conquista do Grazina e do Olhanense eram apenas histórias que sempre ouvi contar. Quando nasci, em 1976, o Olhanense tinha descido à segunda divisão no ano anterior e nunca mais conseguiu voltar à elite do futebol. Toda a vida sonhei com o dia que o Olhanense subiria à primeira divisão de novo e esse dia aconteceu. Finalmente! Foi no dia 17 de Maio de 2009. 34 anos depois, o Olhanense consegue a proeza e realiza o meu sonho. O sonho de todos os olhanenses.
Nesse mesmo dia, vi na televisão, o nome do Grazina ser pronunciado e relembrado pelas gentes de Olhão. Só as pessoas com mais de 65 anos (idade da minha mãe e ela própria só se lembra dos últimos anos) viram o Grazina jogar. Mas o que é certo é que na altura da vitória, algumas pessoas se lembraram dele e isso deixou-me muito comovida, orgulhosa, enfim, aquela terrível mania que as mulheres têm de ter sempre a lágrima ao canto do olho.
Hoje gostaria de estar em Olhão para a festa. Mas não foi possível. Mas estarei sempre com eles, como estive sempre, na Antena 1 aos domingos à tarde a seguir o Olhanense até à subida. Foram 3 décadas à espera deste dia. E quando se espera e se quer muito uma coisa, às vezes ela acontece.
O meu avô esteja ele onde estiver, eu tenho a certeza de que estará feliz. "Estamos na primeira avô, estamos na primeira avô..."
Moss... Já me chorem os olhes camande....